Dados de mercado demonstram que o planejamento sucessório ainda é um dos temas mais negligenciados e postergados pelos pequenos e médios empresários no Brasil, onde cerca de 90% das companhias são de controle familiar. Uma pesquisa realizada entre 2021 e 2025 indicou que 91% das PMEs com faturamento anual expressivo não possuem nenhum plano estruturado para a transição de suas lideranças. O grande paradoxo é que, enquanto o fundador foca toda a energia na sobrevivência e estabilização do fluxo de caixa nos primeiros anos, a falta de planejamento cobra um preço alto quando o futuro chega sem aviso.

Esse cenário ganha contornos de urgência diante de estimativas do Banco Mundial que apontam que apenas 30% das empresas familiares conseguem sobreviver até a chegada da terceira geração. O risco de mortalidade dos negócios tende a se acentuar no período entre 2025 e 2030, intervalo apontado por analistas como a maior janela de transferência de comando e patrimônio da história recente do país. Negócios financeiramente saudáveis acabam perdendo espaço de mercado ou fechando as portas não por falta de clientes, mas em decorrência de conflitos internos severos e disputas familiares.

Especialistas em governança ressaltam que planejar a sucessão não significa, obrigatoriamente, colocar um herdeiro direto na cadeira da presidência da empresa. O caminho ideal e seguro é estruturar regras claras de governança corporativa que separem com precisão os papéis da família, da propriedade patrimonial e da gestão profissional, dando flexibilidade e preparo para os herdeiros decidirem de forma consciente. Trata-se, em suma, de um processo contínuo de gestão estratégica que deve ser incorporado à rotina empresarial antes que uma emergência ou fatalidade force escolhas desorganizadas.

fonte: https://www.contadores.cnt.br/noticias/empresariais/2026/06/29/sucessao-em-pmes-por-que-o-planejamento-nao-pode-esperar-o-negocio-dar-certo.html